terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Para sempre


Tem uma música do Legião Urbana que tem esse título, e tenho gravada em DVD com Cássia Eller. "Mudaram as estações/e nada mudou/mas eu sei que alguma coisa aconteceu/está tudo assim, tão diferente/Se lembra quando a gente/chegou um dia a acreditar/que tudo era pra sempre/sem saber/que o pra sempre sempre acaba.

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou/quando penso em alguém só penso em você/e aí, então, estamos bem/Mesmo com tantos motivos para deixar tudo como está/nem desistir nem tentar/agora tanto faz/Estamos indo de volta para casa."


Está tudo assim, tão diferente.

Mas eu mantenho. É para sempre.

Nove

Sangrando...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Assessora de imprensa


Não foi propriamente um convite. Jorge Braga, meu grande amigo, chegou para mim hoje e disse, sem meias-palavras: Você será a assessora de imprensa do Carnaval dos Amigos no ano que vem, não apenas do Bloco do Zé Ferino. Claro, respondi, serei com imenso prazer. E serei mesmo.

Para quem não sabe, o Carnaval dos Amigos é o grito de carnaval que acontece há oito anos, sempre no sábado imediatamente anterior ao carnaval oficial, e que começou no Flamingos e este ano repetiu-se em seis bares. Um deles é o Cerrado, onde, há seis anos, o impagável Jorge Braga - jornalista, artista e cartunista dos melhores do Brasil - comanda o Bloco do Zé Ferino (nome de seu jornal, que também já foi Perebas News, mas ele achou melhor mudar o nome porque ninguém queria anunciar em um jornal com nome de pereba).

Dois anos atrás, Jorge se fantasiou de Jack Sparrow. E não é que ficou a cara de Jhonny Deep em Piratas do Caribe? No ano passado, ele foi de Zé Bonitinho, e estava o máximo. Neste ano, foi de Curinga, mas não um Curinga qualquer. O impagável Curinga de Jack Nicholson, em Batman. Jorge acordou cedo para dar conta da esmerada maquiagem, que consistiu também em preencher sua carinha magra. O resultado foi (para alguns, não para mim, que estou acostumada com sua capacidade de mutação) surpreendente.

Eu não fui ao Carnaval dos Amigos, não saí no Bloco do Zé Ferino. Fui convocada de última hora para trabalhar, ainda por cima na edição do jornal. Saí de lá às 20 horas de sábado, para depois voltar no domingo e fazer meu plantão. Hoje, Jorge disse que sentiu minha falta para dar um "selinho" no Curinga. Ficou para o ano que vem. Só não sei qual será o personagem da vez. Depende da imaginação muito fértil de meu amigo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sobre crias


Joana, minha única filha, está em Catalão, com minha mãe. Fez o último semestre do segundo ano do ensino médio lá e vai fazer o terceiro ano também lá. Como sempre, escolhi a escola para ela com muitas informações (trabalho com isso) e também com o apoio imprescindível de minha intuição (ela me mantém viva).

Hoje a Universidade Federal de Goiás (UFG) - onde me formei - divulgou o resultado de seu vestibular de início de ano. Joana fez para Educação Física no campus de Catalão. Aliás, já falei sobre isso aqui, no blog, sobre o dia da primeira fase, quando eu e Cristina Cabral, fotógrafa do jornal e mãe de vestibulando e amigo de Joaninha, estávamos de plantão.

Voltando a hoje, estava me deslocando do consultório do anjo Fernando, onde fiz acupuntura, para a TV. Eram cerca de 8h50, quando ela ligou pela primeira vez. Perguntou se o resultado do vestibular havia saído. Disse que não, que normalmente só divulgam à tarde. Menos de 10 minutos depois, ela liga, com uma afirmação: o resultado havia saído. Queria que eu olhasse.

Cheguei na TV correndo, literalmente, entrei na Redação, liguei o computador, e consultei rapidamente. Vários cursos de Educação Física. Licenciatura, bacharelado, noturno etc. Tudo por código, nada que indicasse onde. Em todos, necas de Joana. Estava quase desistindo quando vi um em que não havia entrado.

JOANA CRISTINA BORGES BATISTA.

Estava escrito assim, em maiúsculas. Danei a tremer. Consegui ligar para ela. Ela já tinha visto. Perguntou sobre sua classificação. Isso não havia olhado. Voltei correndo para meu computador. Foi quando vi o número: 1.

Joana Cristina Borges Batista, minha filhinha, de 16 anos, passou em primeiro lugar para Educação Física na UFG de Catalão. É muito mais do que eu esperava (já acreditava que seria aprovada). Até agora ainda dou risadas deliciosas quando imagino minha pequena fazendo cálculos, simulações e escrevendo suas respostas. Desnecessário dizer como me sinto...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

De novo, ele

Orlandão era um dos maiores machões que já conheci. E era muito machista. Dizia que se algum dos filhos dele (teve três) usasse brinco, deserdaria, porque isso não era coisa de homem. Tornou-se mais tolerante com o tempo, não em relação aos filhos, claro que não teve esse tipo de "desgosto", mas com as demais pessoas.
Ele sempre contava uma história de um de nossos colegas de empresa que, quando fazia estágio, foi escalado para acompanhar, durante semanas, logo quem... Orlando Carmo Arantes. E o tal estagiário (que hoje é um profissional querido e respeitado) é gay. Orlandão, apesar de editor, sempre fazia reportagens, saía às ruas quase todos os dias. De vez em quando pegava as pautas boas, deixando as repórteres de sua área meio furiosas...
Mas o caso era um acidente gravíssimo, com vários mortos. Passaram um rádio para Landão e lá foi o intrépido repórter policial. Com o estagiário a tiracolo. Vou tentar me lembrar das palavras dele. Chegaram ao local, era coisa feia mesmo. Aí o estagiário perguntou alguma coisa sobre os membros superiores (braço, mão) de uma das vítimas. Ao que Landão respondeu que ele (o estagiário) estava pisando exatamente sobre eles. "Ele ficou todo branco e fez menção de desmaiar", contava Orlandão. As ameaças que ele fez ao futuro jornalista para evitar que ele desmaiasse não vou revelar. Mas funcionaram.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Você me matou

E teve outra história. Na época, a sucursal de Anápolis tinha mais gente do que o Paulinho. E a repórter era uma figura. Do tipo que, quando ia algum repórter de Goiânia para lá, por qualquer motivo, ela achava ruim.
Mas a história foi a de um homicídio. Creio que proveniente de assalto. E que ela narrava com toda a riqueza de detalhes. Até dizer que a vítima, à aproximação do agressor, atingida mortalmente, "disse apenas três palavras": "você me matou, você me matou, você me matou"!!!!!

Facada fatal


Dando continuidade à série sobre besteiras e redação (algumas nem tão besteiras assim), eu me lembrei de uma história. A mulher havia sido morta acho que com 17 ou 18 facadas. Não me lembro de quem era, mas não devia ser assim algum pé-rapado, porque quem deu entrevista foi, em pessoa, o então diretor-geral de Polícia Civil, Hitler Mussolini (sim!!!) Domingues Pacheco.

No meio da entrevista, chega uma foca esbaforida, com seu cinegrafista (ela trabalhava em televisão) e, segundo conta minha amiga Rosana (eu não estava lá), não satisfeita em pegar a coletiva pelo meio, ela tascou a seguinte pergunta:

- Doutor Hitler, qual foi a facada fatal???

Impassível, Hitler Mussolini disse a ela que só Deus poderia responder a essa pergunta (queria saber qual a utilidade da pergunta e da resposta). Ela ficou satisfeita. Como ficam as focas com algumas sardinhas.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Veia política


Aconteceu há muito tempo, mas, como disse que iria contar algumas de nossas diversões de redação (claro, rimos muito, ou não suportaríamos a pressão de correr sempre contra o relógio com tantas tragédias, tantos dramas, emoções, enfim), aí vai.

Faz um bom tempo. A colega narrou toda a história com riqueza de detalhes para depois, ao descrever a forma do homicídio, dizer que o assassino, com uma facada, atingiu a "jangular" da vítima.

O editor de Polícia do POPULAR era Orlando Carmo Arantes (meu melhor amigo de todos os tempos) que, ao ler aquilo, veio com um comentário que, claro, era do repertório orlandístico: "Mas você acaba de atingir a 'veia política' do cara". Foi muito engraçado. Orlando era sutil como um elefante em uma loja de cristais. Falava com aquele vozeirão. Tinha o dom de deixar tudo mais leve, mais divertido, até as tragédias cotidianas estampadas nas páginas de polícia.

Até hoje nos lembramos da história.

Saudades, Landão.

Sobre galos


Estava eu em um plantão de domingo de manhã na redação do Popular. Só eu na pobre redação. O ar-condicionado deixava meus dedinhos dos pés (de sandália, naquela época eu não usava meus tão onipresentes tênis) congelados e roxinhos. Toca o telefone. O que vou narrar a seguir é a mais pura absoluta verdade dos fatos.

Atendi, era um senhor. Diálogo:

- Você é jornalista?

- Sim.

- Estou ligando porque vocês, jornalistas, sabem de tudo. Estou na Cidade Jardim (um bairro de Goiânia), procurando uma rinha de galos. Liguei para saber onde é.

- Não entendi, senhor.

- Estou procurando uma rinha de galos. Você não é jornalista? Você tem obrigação de saber. Por isso liguei (mas ele dizia isso aos gritos, exaltado, furioso com minha ignorância).

- Senhor, sou jornalista e gostaria muito de saber onde fica a tal rinha de galos. Porque chamaria a Delegacia de Meio Ambiente para ir até lá, desmontar a rinha, salvar os galos dos maus-tratos e ainda prender todo mundo. Inclusive o senhor. Ainda teria uma boa matéria com uma bela foto para publicar na edição de amanhã.


A outra não teve a ver com redação.

Descobrimos como é bom cozinhar galo (eu adoro até hoje).

Não sei por que cargas (já que nunca matamos o bicho, sempre pedíamos a vizinhos), resolvemos comprar o galo em pé. Acho que iam amigos para casa. Trancamos Margarida (nossa cadela vira-latas) nos fundos e deixamos a área da frente para o galo que dali a pouco iria para a panela. Ao que alguém bate palmas no portão. O cara pediu para chamar meu marido. Negociação de homens. Queria o galo. O bicho era todo preto. O cara insistiu se ele não tinha nem um peninha branca, sequer. Não, não tinha. Ele ficou louco. Daria um galo índio em troca. Ligou para dezenas de pessoas. Não achou o raio do galo para a troca. E o nosso era todo pretinho, perfeito para a encruzilhada...hahaha

Nada feito. Não trocamos o galo. E o nosso, que iria para um ritual, certamente, foi para a panela de barro.

Outro episódio de galo é que, quando criança, em Catalão, tinha um galo, parecido com o da foto. Não me perguntem por que, mas o nome dele, o galo, era... Raquel.

Conflito


Rosana Melo hoje foi para a rua, fazer uma entrevista coletiva do delegado de Defesa do Consumidor, Edemundo Dias de Oliveira Filho, a respeito de um esquema de falsificação de roupas de grife que havia sido desmontado. Chegou na redação reclamando das perguntas idiotas de repórteres de televisão (a guerra entre repórteres de jornal e TV será eterna. Mas não custava um pouquinho que nossos colegas da latinha - com honrosíssimas exceções - lessem alguma coisa na vida além de Caras e não assistissem apenas a BBB).

Enfim, Rosana chegou contando que uma colega foca (como chamamos os que começaram há pouco na profissão, não têm tanta experiência ou que simplesmente são assim) chegou a uma brilhante conclusão. Enquanto a entrevista com o delegado corria informalmente, antes de gravarem, a foca perguntou ao delegado há quanto tempo a polícia vinha investigando o caso. Doze meses foi a resposta. Alguns segundos depois, a criatura me saiu com essa: "Mas isso dá um ano".

Sinceramente, não pude evitar a analogia. Imaginei o quanto Tico e Teco, os neurônios, devem ter trabalhado para chegar a essa conclusão. O conflito entre eles. Enquanto ríamos, imaginei o cérebro da figura como um acelerador de partículas, onde Tico e Teco foram submetidos a velocidades altíssimas para chegar a esse desempenho. E isso me deu apetite para contar algumas pérolas de redação e de entrevistas coletivas. Planos...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Pétalas soltas


Chorei 17 vezes nos últimos dois dias. A realidade às vezes nos espreita, aperta, mói. Chorei 17 vezes e me senti moída 17 vezes. Ou mais. Provavelmente mais.

Ele saiu com suas duas pastinhas pretas. Passou pela máquina de café. Voltou. Serviu-se pela última vez. Só. E eu chorei pela primeira vez.

Pouco depois, um choro contido. Eu, delegada. Meus ouvidos delegados. Olhos embotados. E chorei de novo. Acho que pela terceira ou quarta vez.

Minha memória, terrível, ingrata, traiçoeira, querendo apagar tudo.

Mais tarde, o sanduíche e a Bíblia. Nem Deus permitiu uma fuga providencial. Chorei pela enésima vez.

Adolescentes sumidos. Memória sumida. Inspiração desparecida. Ninja morta.

Quantos moídos? The Flash, saiu como um foguete. Chorei.

Não, a Ninja ainda não estava morta.
Um beijo soprado da ponta do dedo indicador. Tristeza.

Hoje, veio como um raio: Tchau, redação.

Chorei pela sei-lá-que-vez, mas Rosana parecia que não iria mais parar.

Mas teve mais.

E estou exausta.

O silêncio

São 14h11 de sexta-feira.
Silêncio absoluto.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A função da música


Em casa, um calor enlouquecedor por essas bandas, sozinha (novidade), ouvindo uma lista de músicas que meu grande amigo Cláudio Pontes me trouxe. Aí começou uma obra-prima do mestre Zeca Pagodinho: Verdade.

Lembrei de uma crítica marcante de Artur Dapieve, falando da primeira vez que ouviu esta música. Começa com voz e um violino, bem de leve, ao fundo. Depois vem uma quase bateria de escola de samba. Muito bom. Muito mesmo.

Mas o interessante não é isso. É como ouvir músicas que marcaram época em nossas vidas nos faz sentir sensações, gostos, cheiros, situações pelas quais passamos. Nem todas agradáveis, mas, no caso da música de Zeca (e acho que de todas que assimilei, as que tinham efeito contrário consegui transmutar), são muito boas.

Lembro-me claramente de irmos pescar no pesque-pague excelente que tinha a poucos quilômetros de nossa casa no Parque Atheneu, Neguinho, eu, Joaninha, o filho dele, Alexandre, e vários amigos: Marília Assunção, com Ana Clara, sua filha, Cristiane Honório, Estela Landim, Kim. Lembro também de assarmos os peixes produtos dessas aventuras em casa (a farra era ótima, mas o gosto de peixe, de gordura e terra, típico de peixes de pesque-pague, horrível). Mas no geral, era muito bom. Lembro também de um dia em que cheguei do jornal e estavam o Bodão e o Kim, cada um com uma extremidade de uma grande caranha que Joaninha havia pescado.

"Descobri que te amo demais" diz Zeca no início da letra. Ouço mais uma vez.

Pensando bem, sou mesmo muito eclética. Ainda bem.

"A entrega perfeita do amor... Verdade".

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Quando as máscaras caem


Confesso que não li A divina comédia, de Dante Alighieri, mas sei que há casos em que a ficção, mesmo com toda a liberdade de criatividade, nunca se aproximará da terrível e temível realidade. Tive essa convicção no episódio de Vilma (vil + má) Martins, aquela que roubou duas crianças de maternidades de Goiânia e Brasília. Nem Janeth Clair jamais pensou em algo tão diabólico e improvável. E real.

A tragédia que se abateu sobre o Haiti me faz pensar a mesma coisa. Nunca, jamais nenhuma definição que se tenha tentado fazer do inferno (não que eu acredite em sua existência), por mais variados motivos e por mais instruídos e criativos padres e pastores, chegou perto do que ele é em sua totalidade: uma nação desesperada, convivendo com o caos absoluto, que dispensa comentários e adjetivos. Tenho me emocionado com tantas cenas da tragédia, principalmente as últimas, que mostram pessoas famintas e desesperadas se atracando para disputar comida. Isso me lembrou o Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago. Mas não é sobre essas máscaras que caem, em caso de desespero, que quero falar.

Não bastasse a tragédia em proporções inimagináveis a que estamos assistindo, comovidos, temos de suportar a queda das máscaras que supostamente escondiam doses generosas de hipocrisia e preconceito. Primeiro foi o pastor americano Pat Robertson (do qual eu nunca tinha ouvido falar), dono de um canal de TV nos EUA, que disse que o terremoto foi provocado por um "pacto que os haitianos fizeram com o diabo para ficarem livres da França". Ele disse ainda que a tragédia foi consequência de uma "maldição" que paira sobre o país.

Mais grave ainda foi o asqueroso episódio da entrevista do cônsul do Haiti no Brasil, George Samuel Antoine, que, sem saber que estava sendo gravado, disse que o terremoto era "bom para nós", porque tornava o Haiti conhecido, para concluir: "Acho que de tanto fazer macumba, não sei o que é aquilo. O africano, em si, tem maldição. Todo lugar que tem africano tá foda".

Não preciso, aqui, fazer um resgate antropológico de todo o preconceito e a intolerância que as religiões cristãs arraigaram contra as religiões e os costumes vindos da África com os escravos. Mais grave do que ver as máscaras caírem e as desculpas esfarrapadas - o embaixador disse que tem dificuldades com o português, apesar de morar há 35 (!!!!!!) anos no Brasil -, é perceber que há pessoas que concordam com esses absurdos. Pessoas supostamente esclarecidas e instruídas, jornalistas (ô, racinha!) entre elas. Isso, sim, é uma maldição!

Saí do jornal hoje enxugando as lágrimas pelo povo haitiano, em particular, e pelos negros, de uma maneira geral, por serem vítimas de um preconceito tão virulento. Não me contive, fiz algum comentário sarcástico sobre a "culpa" da "negrada macumbeira", diretamente para uma colega, evangélica, que pensa exatamente assim. Foi um desabafo regado a lágrimas, uma tentativa besta de, com alguma agressividade, fazer acordar a ela e aos outros que pensam assim. Só aumentou minha dor e engrossaram minhas lágrimas. Ainda corro o risco de ser chamada de preconceituosa por ela.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Doutora Zilda


Chorei hoje durante quase meia hora pela doutora Zilda Arns, uma figura a quem admirava e respeitava. Estivemos juntas uma vez na TV e a entrevistei para o jornal uma vez. Linda, finíssima, uma lady.

Hoje, quando cheguei à TV, de manhã, havia a suspeita da morte. Aí falei alto, para todos ouvirem: "Com tanta gente ruim nesse mundo, por que o Arrudão não estava lá, mas logo a doutora Zilda?". Estranhei que a maioria não tivesse visto a notícia por internet (e outros nunca tivessem ouvido o sobrenome Arns). Poxa, como jornalista pode não consultar os sites mais confiáveis de notícias de tempo em tempo (preferencialmete, a intervalos reduzidos)??

Depois, percebi que pouca gente ali sabia quem foi Zilda Arns. Respirei fundo, achei que sou prepotente toda vez que penso determinadas coisas, e segui para o jornal. Para meu espanto, a colega pautada para ver se havia goianos no meio, nunca ouviu falar em Zilda Arns (Haiti???).

Mas o que queria dizer é que, por mais que os jovens colegas não saibam direito, há algumas pessoas que vêm para imprimir sua marca, mesmo que despretensiosamente. Já pensou se todas as pessoas ajudadas direta e indiretamente por Zilda Arns erguessem, neste momento, uma oração por ela? É o que estou fazendo desde que soube de sua morte.

Esta mulher revolucionou o que conhecemos como saúde pública, com tão pouco. Moveu exércitos de voluntários e voluntárias, salvou milhares de criancinhas e recém-nascidos da morte. Tive o prazer de assinar uma lista para sua indicação ao Nobel da Paz. Quem sabe ela o receberá postumamente...

Com todas as reverências possíveis.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Aracnídeo


Escândalo!

Homem-Aranha sem Tobey Maguire no papel-título e sem a direção de Sam Raimi (ambos presentes nos três filmes anteriores, deliciosos) não tem base. Não tem a menor graça. É o mesmo que assistir a algum filme de Tim Burton sem nenhuma menção a Johnny Depp.

Pois é essa a notícia que vejo, depois de saber que realmente estava meio tumultuada a gestação de Homem Aranha 4. Daí a falar em substituir o ótimo Maguire por Robert Pattinson, o vampiro da série Crepúsculo?

Tenha a santa paciência. O tal vampirinho é bonitinho, mas é só. Os livros da série são bom entretenimento (não chegam aos pés de Harry Potter, mas fazem passar as horas). Mas daí a alçar o Pattinson a Homem-Aranha???

Como diria o Tutubarão (e posso visualizar Maísa Lima, minha grande amiga, imitando-o, com as mãozinhas na cintura): "Mais respeito, eu exijo mais respeito".

E depois de falar tanto, para quem não sabe, tenho fobia de aranhas. Nada me mete mais medo nessa vida. Quando morava no Tocantins (onde elas abundavam), só dormia depois de vistoriar toda a casa e, principalmente, embaixo da cama.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Nalgum lugar


Nalgum lugar em que eu nunca estive

Alegremente além

De qualquer experiência

Teus olhos têm o seu silêncio

No teu gesto mais frágil

Há coisas que me encerram

Ou que eu não ouso tocar

Porque estão demasiado perto

Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra

Embora eu tenha me fechado como dedos

Nalgum lugar

Me abres sempre pétala por pétala

como a primavera abre

Tocando sutilmente, misteriosamente

A sua primeira rosa

Sua primeira rosa

Ou se quiseres me ver fechado

Eu e minha vida

Nos fecharemos belamente, de repente

Assim como o coração desta flor imagina

A neve cuidadosamente descendo em toda a parte

Nada que eu possa perceber neste universo

Iguala o poder de tua intensa fragilidade

Cuja textura

Compele-me com a cor de seus continentes

Restituindo a morte e o sempre

Cada vez que respirar

Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre

Só uma parte de mim compreende

Que a voz dos teus olhos

É mais profunda que todas as rosas

Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas

sábado, 2 de janeiro de 2010

Serenata


Não sei por que fui me lembrar disso logo agora, mas serenata é o que há de melhor. E olha que já recebi algumas, em Catalão, e já participei de outras. Bateu um clima de nostalgia geral. Por aqueles tempos inocentes, sem preocupações.

Eu vi uma foto minha, de quando tinha 13 ou 14 anos, num desses encontros de jovens em Catalão. Eu era muito doce. Bonita e doce. E não sabia.

Mas, voltando à serenata, eu me lembro que recebi algumas. Houve uma ou duas que foram embaladas por ficas K-7, no melhor estilo "play back". Mas também houve pelo menos duas (que me lembro), que foram ao vivo. E lindas. De uma delas, pelo menos, eu me recordo. Cássio (irmão de Alessandra Paixão, minha colega e linda) comandando a festa, junto com Edmar e Edson e devia ter mais alguém. Foi a melhor que recebi, de várias.

E houve um dia das mães em que saímos, muitos, a presentear (???) as mães da cidade. Vimos várias acordando com lágrimas nos olhos, e até nos recebendo. Foi lindo. Que bom que vivi isso. Sinto saudades.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Inverno


É impossível nesta primavera, eu sei

Impossível, pois longe estarei

Mas pensando em nosso amor, amor sincero

Ai! se eu tivesse autonomia

Se eu pudesse gritaria

Não vou, não quero

Escravizaram assim um pobre coração

É necessário a nova abolição

Pra trazer de volta a minha liberdade

Se eu pudesse gritaria, amor

Se eu pudesse brigaria, amor

Não vou, não quero.

Réveillon

Lingerie: vermelha.